E voltando-se para os discípulos, disse-lhes em particular: Bem- aventurados os olhos que vêem o que vós vedes. Lucas 10:24
O
parque estava quase deserto quando me sentei num banco embaixo dos ramos de um
velho carvalho, desiludido da vida, com boas razões para chorar, pois parecia
que o mundo estava conspirando contra mim.
Eu queria ficar só, mas, um garoto ofegante se
chegou, cansado de brincar, parou na minha frente, cabeça pendente, e, cheio de
orgulho, disse-me:
- Veja o que encontrei, e estendeu em minha direção
uma flor honrosamente decaída, macetada, nas últimas.
Querendo me ver livre do garoto o quanto antes,
fingi um pálido sorriso e tentei iniciar a leitura de um livro de auto-ajuda,
mas, ao invés de ir embora, ele se sentou ao meu lado, levou a flor ao nariz e
disse:
- O seu cheiro é ótimo. Fique com ela!
Então, estendi minha mão para pegá-la e respondi
com ironia:
- Obrigado, menino, essa flor era tudo o que eu
precisava para completar o meu dia.
Mas, ao invés de estender o braço, ele manteve a
flor no ar, para que eu a pegasse de suas mãos. Nessa hora notei, pela primeira
vez, que o garoto era cego.
- De nada, disse ele sorrindo, feliz por ter feito
uma boa ação.
Uma ação tão boa que me fez ver a mediocridade dos
meus pensamentos e das minhas atitudes diante dos reveses da vida.
Bem-aventurados os olhos
que vêem o que vós vedes.
Lucas 10.23
Postado por Dete dete_enfer@hotmail.com às 05:31