Nenhuma
pena seria capaz de descrever os sentimentos que tumultuavam no coração de
Alberto.
Pela primeira vez, depois de tantos meses de inditosa existência, sua alma
volve
um olhar para o passado e ele começa a sentir um desejo invencível de rever sua
mãe.
Recordando, porém, a maneira brusca como a deixara e atentando na sua triste
condição,
diz, consigo mesmo: "Não, lá não tornarei mais, minha mãe não pode
reconhecer
como filho uma tão vil criatura como eu sou. Irei, pois, executar o que
projetei."
Neste ponto, o cantor, erguendo a voz, continuou:
"Oh,
volve, meu filho! Oh, volve outra vez!
Ao
caminho do bem!"
Alberto
deixou apressadamente o recinto; um missionário, porém, que o havia
observado
atentamente, seguiu-o. Alberto estava dominado de profundo arrependimento
e
em saindo da sala rompeu num pranto de soluços, dizendo: "Oh! minha mãe! Perdoe-me
que
ainda lance sobre a senhora mais este opróbrio, buscando pôr termo à
existência,
mas já não a posso suportar!"
"Oh,
volve, meu filho! Oh, volve outra vez!" Era a voz do missionário que
repetia
baixinho
essas palavras no ouvido de Alberto. Alberto deteve-se e o missionário,
travando-lhe
do braço, o reconduziu à sala, onde alguns missionários entraram a falar
com
ele sobre a salvação. Momentos depois Alberto caía, contrito, de joelhos,
suplicando
a Deus o perdão dos pecados. Depois referiu aos seus amigos o seguinte:
"Quando
deixei a casa de meus pais, minha mãe me disse: 'Alberto, meu filho, as
minhas
orações hão de seguir-te; quando estiveres cansado e farto deste mundo, volve e
toma
pelo caminho de tua mãe.' Volverei a ela e protestar-lhe-ei que estou
resolvido a
começar
uma nova vida."
No
dia seguinte Alberto volvia ao sítio de seu nascimento, onde em poucas horas
chegou.
Caía a noite e ninguém o notou quando se dirigiu à casa dos pais. Quando
parou
diante da porta ouviu, lá dentro, a voz de sua mãe que, como de costume,
suplicava
a Deus pelo filho. Alberto entrou e com voz embargada de profunda comoção
exclamou
baixinho: "Mãe!"
Soube
então que o pai falecera havia alguns meses e a mãe, solitária e triste,
continuava
a
aguardar a volta do filho, por quem nunca havia deixado de orar. Alberto obteve
logo
boa
colocação e agradece diariamente a Deus a salvação de sua vida, em grande parte
devido
à influência de sua boa e piedosa mãe e às exortações simpáticas daqueles
nobres
missionários.
Oh,
mães! que vos sentis desfalecer, prossegui sempre, orando incessantemente, que
Deus
vos há de ouvir! Missionários, não vos deixeis dominar pela fadiga; continuai a
trabalhar
e a cantar! "Semeia de manhã a tua semente, e de tarde não cesse a tua mão
de
fazer o
mesmo. ..."